50 Exemplo de Figuras de Estilo ou Figuras de linguagem

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INTRODUÇÃO

Neste presente tema, vai se abordar acerca das figuras de estilo. Define-se figuras de estilo como sendo o estudo dos diversos recursos estilísticos, ou seja, dos meios que permitem modificar a linguagem vulgar e tornar as frases expressivas, sugestivas, ou musicais.  Importa referir que existem mais de 80 figuras de estilos, porém, neste presente trabalho abordar-se-á 50 deles.

E as figuras são divididas em figura de palavras (figuras semânticas ou tropos) e figura de pensamento.


O que são figuras de linguagem?

Como explicamos, as figuras de linguagem são recursos utilizados para enfatizar algumas informações e se distanciam da linguagem denotativa.

Em outras palavras, elas possibilitam uma interpretação que extrapola o sentido literal do enunciado, como na frase “a pedra chorou de tristeza”. Sabemos que pedras não choram, portanto, trata-se de uma analogia a uma situação triste.

As figuras de linguagem são classificadas em quatro tipos, como podemos conferir a seguir:

Figuras de palavras ou semânticas: referem-se ao significado das palavras;

Figuras de pensamento: estão associadas à combinação de ideias e pensamentos;

Figuras de sintaxe ou construção: interferem na estrutura gramatical da frase;

Figuras de som ou harmonia: estão ligadas à sonoridade das palavras.


Veja também:

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Perguntas e respostas

 

Quais são as figuras de linguagem que existem?

Agora que você já sabe o que são figuras de linguagem, vamos mostrar quais tipos existem e alguns exemplos.


Figuras de palavras

Metáfora

Entre as figuras de linguagem mais conhecidas, temos a metáfora, que se trata de uma comparação implícita. Ou seja, quando dois termos são comparados em uma frase, a conjunção comparativa fica subentendida.

Exemplos:

Vejamos alguns exemplos:

“A vida é uma nuvem que voa.” (“A vida é como uma nuvem que voa.”)

“A razão é a luz na escuridão.” (“A razão é como a luz na escuridão.”)


Comparação

Ao contrário da metáfora, a comparação ocorre quando há a presença de uma conjunção comparativa.

Exemplos:

Vejamos alguns exemplos:

“Seus olhos são como jabuticabas.”

“O pensamento é como um diamante bruto.”


Metonímia

Já a metonímia ocorre quando um termo é substituído por outro, desde que haja uma relação entre eles.

Exemplo:

“Ele gosta de ler Shakespeare.” (“Ele gosta de ler as obras de Shakespeare.”)

“Sofia comprou um Caravaggio.” (“Sofia comprou um quadro de Caravaggio.”)


Catacrese

Mais uma entre tantas figuras de linguagem, a catacrese se refere ao uso inapropriado de uma palavra por não haver outra mais adequada.

Exemplos:

“Embarcou há pouco no avião.”

“A quarentena já dura dois anos.”


Sinestesia

A sinestesia consiste na utilização de palavras ligadas às diferentes sensações do corpo humano, como visão, olfato, audição, paladar e tato.

Exemplo:

“No doce (paladar) caminho que percorri, ouvi cantarem (audição) os pássaros no calor (tato) da manhã.”


Perífrase

A última figura de palavra é a perífrase, que diz respeito à substituição de algumas expressões por outras que as identifiquem.

Exemplo:

“O rei das selvas ainda não é uma espécie em extinção.” (“O leão ainda não é uma espécie em extinção.”


Figuras de pensamento

Hipérbole

Outra figura de linguagem bem conhecida, a hipérbole representa o exagero intencional no enunciado.

Exemplos:

“Estava com tanta fome que podia comer um boi inteiro.”

“Quase morri de estudar.”


Eufemismo

Por outro lado, o eufemismo é utilizado para amenizar o discurso por meio de palavras ou expressões agradáveis.

Exemplos:

“João faltou à verdade em seu depoimento.”

“Ela entregou a alma a Deus.”


Litote

Além de todas as figuras de linguagem já mencionadas aqui, temos o litote, uma afirmação realizada pela negação do contrário.

Exemplos:

“Bruno não é nada bonito, mas gosto dele mesmo assim.”


Ironia

Mais uma figura de linguagem bastante conhecida, a ironia é a prática de sugerir o contrário do que se afirma.

Vejamos alguns exemplos:

“É tão inteligente que não acerta nada.”

“A pontualidade da minha irmã é britânica. Só esperei duas horas.”


Personificação

A personificação se refere à atribuição de qualidades e sentimentos humanos aos seres irracionais.

Exemplos:

“O lobo conversou com a Chapeuzinho, e decidiram fazer as pazes.”

“O jardim olhava as crianças sem dizer nada.”


Antítese

A antítese é a utilização de termos que têm sentidos opostos.

Exemplo:

“O bem e o mal caminham de mãos dadas no coração humano.”


Paradoxo

Enquanto a antítese diz respeito à utilização de termos com sentidos opostos, o paradoxo representa o uso de ideias que têm sentidos opostos.

exemplos:

“Ninguém parecia ouvir, mas a menina gritava em silêncio.” “Estou cego de amor e vejo o quanto isso é bom.”


Gradação

A gradação representa uma sequência de ideias que progridem de forma crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax).

Exemplo:

“Inicialmente calma, depois apenas controlada, até o ponto de total nervosismo.”


Apóstrofe

A apóstrofe representa a interrupção de uma frase para interpelar ou invocar.

Vejamos um exemplo:

“Ó céus, é preciso chover mais?”


Figuras de sintaxe

Elipse

Quando falamos sobre elipse, nos referimos à omissão de palavras que se identificam facilmente.

Exemplo:

“Vou te ligar. Qual o seu número?” (Qual o seu número de telefone?)


Zeugma

Por sua vez, a zeugma é a omissão de uma palavra que já foi usada antes.

Exemplo:

“Fiz a introdução, ele a conclusão.”


Hipérbato

Já o hipérbato é a alteração da ordem direta de uma oração.

Exemplo:

“São como uns anjos os seus alunos.” (“Os seus alunos são como uns anjos.”)


Pleonasmo

O pleonasmo é a repetição de uma palavra ou ideia para intensificar um significado.

Exemplo:

“A mim me parece que isso está errado.” (“Parece-me que isso está errado.”)


Anáfora

A anáfora é a repetição de palavras de forma regular.

Exemplo:

“Se você sair, se você ficar, se você quiser esperar, eu estarei aqui sempre para você.”


Figuras de som

Aliteração

Quando falamos em aliteração, estamos falando da repetição de sons consonantais.

Exemplo:

“O rato roeu a roupa do rei de Roma.”


Onomatopeia

Por fim, a onomatopeia é o uso de palavras que imitam sons.

Exemplo:

“Não aguento o tic tac desse relógio.”


FIGURAS VARIACIONAIS

Eruditismo

Consiste no uso de palavras eruditas, de conhecimento restrito, para despertar a atenção do autor ou para criar um efeito de intelectualidade, erudição, pedantismo.

“Isto é despiciendo. (= desprezível)”

“Entre o Frango e a Fome,”

“Há o cristal infrangível da Lei (= inquebrável)”

“Tálamo (= leito nupcial)”

“Imarcescíveis (= que não murcham)”


Neologismo

Consiste no uso de um termo inventado para criar um efeito estilístico (emotivo, satírico, crítico, etc.) ou por não haver ainda uma palavra que represente nossa idéia.

“Organizações pilantrópicas (Betinho)”

“A constituição é imexível.”

“Vervudo (que tem verve)”


Estrangeirismo

A utilização de um termo estrangeiro tem três funções importantíssimas: em primeiro lugar, ele constitui a maneira mais fácil de despertar a atenção do leitor; em segundo lugar, ele evoca uma série de conceitos associados ao país ou cultura ao qual o termo pertence; em terceiro lugar, ele serve para expressar nuances de significado inexistentes na língua original.

Exemplos:

“Mon bien aimé, Raymond. (Aluísio Azevedo)”

“Ele tem élan. (= competência associada a elegância, saber fazer bem e com graça)”

“É preciso um know-how que nós não temos.”


Plebeísmo

Uso de palavras condizentes com as camadas menos cultas da sociedade: gírias, palavras de caráter geral, frases vazias ou de pouco brilho etc.

Exemplos:

“Cada um com seu cada um!”

 “O amor é lindo, o que estraga é a falsidade.”

 “Vou “dar no pé”, senão “sobra” para mim.”


Vulgarismo

Abrangeria apenas os palavrões e as palavras decididamente ofensivas e grosseiras. Pode ser usado estilisticamente, para evidenciar o tipo de relações numa determinada comunidade.

Exemplos:

“Maria Carne-Mole (Aluísio Azevedo)”

“Vá te catar!”


Arcaísmo

Uso de palavras desusadas para criar um clima passadista, histórico num determinado texto. Atualmente, a maioria dos teóricos da literatura considera-o um vício.

Exemplos:

“Boticário (= farmacêutico)”

“Vosmicê (= você)”


Regionalismo

Uso de palavras dialetais para dar uma cor local, um ambiente regional ao texto.

“A usina está de fogo-morto. (= parada)”

“Vadinho, este é um cara porreta. (= bacana)”


FIGURAS DE LINGUAGEM MORFOSSINTÁTICAS

Anominação

Consiste em empregar ou criar várias palavras com um mesmo radical.

Exemplos:

“Chuva, chuvosa, chuventa, chuvadeira, pluvimedonha.”

“E canários cantando e beija-flores beijando flores e camarões camaronando e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não morde pequeninando e não mordendo. (Monteiro Lobato)”


Elipse

Consiste na supressão de parte da frase; usada por bons autores, intensifica e valoriza a porção restante do discurso.

Exemplos:

“Ontem você estava tão linda”

“Que o meu corpo chegou”

“Um galo sozinho não tece uma manhã:”

“Ele precisará sempre de outros galos.”

“De um que apanhe esse grito que ele”

“E o lance a outro; de um outro galo”

“Que apanhe o grito que um galo antes”


Zeugma

Consiste na supressão do verbo; é uma característica compartilhada pela estilística literária e pela estilística da fala, onde ocorre freqüentemente.

Exemplos:

“Vieira vivia para fora, para a cidade, para a corte, para o mundo; Bernardes para a cela, para si, para o seu coração.”


Anáfora

Consiste na repetição de palavra no início de frases (ou versos) seguidas ou muito próximas.

Exemplos:

“Você – manhã, um sonho meu”

“Você – que cedo entardeceu”

“Você – de quem a vida eu sou”

“Pensem nas crianças mudas telepáticas”

“Pensem nas meninas cegas inexatas”

“Pensem nas mulheres rotas alteradas”


Epístrofe

Consiste na repetição de palavra no fim de frases (ou versos) seguidas ou muito próximas.

Exemplos:

“Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia /”

– Assim! De um sol assim!”


Epanadiplose ou anadiplose

Consiste na repetição de uma palavra ou expressão no fim de uma frase (ou verso) e no começo de outra.

Exemplos:

“Só não roeu o imortal soluço que rebentava,”

“Que rebentava daquelas páginas”

“Tu choraste em presença da morte”

“Em presença da morte choraste”


Quiasmo

Consiste na repetição de uma palavra ou expressão no início de uma frase (ou verso) e no fim da seguinte, ao mesmo tempo em que se repete a palavra ou expressão do término de uma frase (ou verso) no começo da seguinte.

Exemplos:

“No meio do caminho havia uma pedra”

“Havia uma pedra no meio do caminho”


FIGURAS DE LINGUAGEM FÔNICAS

Rima e Homeoteleuto

Consistem na identidade de som na terminação de duas ou mais palavras; chama-se rima quando ocorre na poesia e homeoteleuto quando ocorre na prosa. O homeoteleuto é muito comum nos ditados populares.

“Nós dois… e, entre nós dois, implacável e forte,”

“ arredar-me de ti, cada vez mais, a morte…”

“Mais vale uem Deus ajuda, do que quem cedo madruga”


Aliteração

Consiste na repetição de sons consonantais.

Exemplos:

“Vozes veladas, veludosas vozes”

“Volúpia de violões, vozes veladas”


Assonância

Consiste na repetição de vogais.

Exemplos:

“São prantos negros de fumas”

“Caladas, mudas, soturnas.”

“Tíbios flautins finíssimos gritavam.”


Homônimos e Expressões Homófonas

Consiste no uso de palavras ou expressões que soam de maneira idêntica, mas têm significados distintos.

Exemplos:

“Sei o que dou e o que tomo,”

“Sei o que como, e como.”

“O rio é o mesmo rio, mas não é o mesmo rio.”


Parônimos

Consiste no uso de palavras que soam de maneira semelhante.

“O poema é dúbia forma de enlace,”

“Substitui o pênis pelo lápis.”

— E é lapso.

“Me dê paciência para que eu não caia”

“Para que eu não pare nesta existência”

“Tão mal cumprida tão mais comprida”


Onomatopéia

“Consiste na imitação dos sons da natureza.”

“Cocoró-corococó, cocoró-corococó,”

“O galo tem saudade da galinha carijó”

 A menina não fazia outra coisa senão chupar jabuticabas…Escolhia as mais bonitas, punhas entre os dentes e tloque. E depois do tloque, uma engolidinha do caldo e plufe! Caroço fora. E tloque, tloque, plufe, tloque, plufe, lá passava o dia inteiro na árvore. (Monteiro Lobato)


Conclusão

Por fim vale dizer que as figuras de linguagem, ou figuras de estilo, são estratégias utilizadas para dar maior ênfase à comunicação e destoam do sentido literal. Ou seja, elas dão ao texto um significado que vai além da linguagem denotativa.


Fontes:

Gramática Compacta da Língua Portuguesa (2000), 1ª edição, Moçambique editora, LDA; PP.120–126.

Gramática de Português, Disponível na internet: Clique aquí



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